O Patrimônio Histórico e Cultural contêm sua história e envolve conhecimentos de várias áreas, tornando seu estudo muito complexo e interdisciplinar, conforme aborta a Carta de Veneza:

“A conservação e o restauro dos monumentos constituem uma disciplina que apela à colaboração de todas as ciências e de todas as técnicas que possam contribuir para o estudo e salvaguarda do patrimônio monumental.” (Carta de Veneza)

Teresa Jussara Luporini, doutora em Educação/Administração e Supervisão educacional pela Universidade Estadual de Campinas, afirma em dois momentos, que:

“Seja por fatores memoráveis da história do Brasil ou por seu valor arqueológico, arquitetônico, etnográfico, bibliográfico ou artístico – vem mostrando um crescimento, a começar pela conceituação do termo patrimônio histórico que inclui a de patrimônio cultural”./ /  “… isso denota um distanciamento de um enfoque limitador, centrado em aspectos apenas históricos, estéticos e oficiais, e uma aproximação com outras áreas que passam a qualificar o termo patrimônio – edificado, natural, antropológico, urbano, ecológico, científico e outros – resultando, portanto, na expressão patrimônio cultural, que não deixa de incluir o histórico.”

O Patrimônio Histórico Cultural de um país ou do mundo é uma herança de várias gerações; um acervo da história humana, de sua memória e identidade e manifesta uma consciência de um povo e nação, cuja preservação tem relação com a relevância de nossa identidade cultural.

De acordo com Cecília Londres “durante o século XIX, nesse país, e também na Inglaterra, na Alemanha e em outras nações europeias, foram criadas instituições, predominantemente públicas, mas também privadas, foram elaboradas leis, e foram realizados trabalhos de inventário, de conservação e de restauração de monumentos de modo a estruturar a prática preservacionista, consolidando um modelo que perdura até os dias atuais”.

A sociedade brasileira ou suas autoridades ainda não veem com fato primordial. Até porque, há décadas nos envolvemos com as tarefas difíceis de permitir acesso à educação, habitação, saúde da maioria da população. Sobrou pouco tempo e divisas para esta atividade, que no fundo tem a ver com educação e além de temas históricos levantados, é a impressão de no ser humano social.

Porém, a compreensão tardia da importância da preservação necessária destes bens, vem a trazer sua degradação e a destruição física, além de aspecto social também.

Um centro histórico, por exemplo, deve ser considerado, além de um bem cultural intransferível, um notável patrimônio econômico, não desperdiçado, nem abandonado tampouco destruído, ou direcionado às mãos da especulação imobiliária.

Olhando por este prisma, a responsabilidade do Patrimônio Histórico e Cultural, além do Estado, é também responsabilidade do cidadão. Que preserva algo que é de todos de sua cultura, que revela sua cidadania. Que respeita sua história.

Um outro fator relevante é aquele que propõe a universalidade da cultura através dos elementos representativos das civilizações do passado. Claro que esta tutela diz respeito à toda humanidade.

O patrimônio cultural compreende três categorias de memória social de um indivíduo ou uma comunidade, são elas:

-Elementos da natureza e do meio ambiente

-Produtos intelectuais, a acumulação do conhecimento pelo homem no decorrer da história, como por exemplo a riqueza linguística.

-Bens Culturais, os artefatos, as construções, obras de arte e objetos produzidos artesanalmente ou industrialmente pela humanidade, que a tenham transformado ou a vida.

Relativo aos bens culturais, deve-se preservar qualquer patrimônio, tombado ou não.

No que diz respeito aos centros urbanos, é inerente, à história da cidade, a sua percepção como um organismo vivo e como tal em permanente mutação. Mas, a perda de identificação com o ambiente, tem graves efeitos psicológicos que apontam para as ansiedades dos moradores da cidade. Concluímos então que a preservação e revitalização de nosso patrimônio urbano, é antes de mais nada a defesa da saúde psíquica da população.

 

A Língua como Patrimônio

O ordenamento jurídico brasileiro protege não só os bens culturais, mas também os patrimônios intelectuais, como por exemplo as formas de expressão, sejam elas corporais, escritas ou verbais.

A genuína forma de expressão de nosso povo é a língua portuguesa, aqui falada a mais de séculos. Como tal, ela reúne elementos distintivos que a colocam como elemento identificador de nossa nação de Norte a Sul, ainda que se considere as especificidades e a grande diversidade dos chamados “sotaques” regionais.

A UNESCO afirma, baseada em estudo recente, que atualmente existem cerca de 6500 línguas diferentes em todo o mundo. Quase metade é falada com pouca frequência. As chamadas línguas minoritárias e os dialetos estão sob forte ameaça de extinção.

Sob o mesmo estudo, o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) nos traz uma estimativa de que, entre um terço e metade das línguas ainda faladas no mundo estarão extintas até o ano de 2050. O possível extermínio de cerca da metade dos 6500 idiomas falados em todo o mundo parece ter motivo na pressão exercida naturalmente pelas línguas dominantes e a repressão política.

As consequências da extinção das línguas são diversas e irreparáveis, para as comunidades locais e para a humanidade. A perda é irreparável porque a situação de cada língua é resultado da confluência e interação de múltiplos fatores político-jurídicos, ideológicos e históricos, além de demográficos/territoriais ou econômicos/sociais. Tudo indica que há uma tendência unificadora por parte da maioria dos Estados que se traduz na redução da diversidade e, isto se converte em atitudes contrárias à pluralidade cultural e linguística.

A América e a Austrália estão na pior situação. Na Austrália foram extintas centenas de línguas aborígenes, já que no país a língua oficial é o inglês.

O francês, o espanhol, o chinês e o russo, principalmente, sufocaram línguas minoritárias em seus países. O motivo principal é a globalização, que mesmo sem querer padroniza o idioma das nações. Isso faz com que as línguas que não são oficiais acabem sendo pouco valorizadas e faladas por cada vez menor de pessoas.

O Brasil é um dos países de maior diversidade linguística. São faladas no país, por estimativa, aproximadamente 200 línguas. Segundo censo IBGE/2010, 170 línguas ainda são faladas por indígenas. Além das indígenas, ainda são catalogadas línguas de imigração, de sinais, de comunidades afro-brasileiras e línguas crioulas. Poucos brasileiros têm noção desta riqueza. Como defender o que não se conhece de nossa cultura nacional?

A abordagem que o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) está desenvolvendo para lidar com a complexidade desse tema é pautada na auto declaração e na concordância dos grupos e comunidades dos que falam a língua pesquisada, de modo que a abordagem seja sobre os elementos de interesse cultural e de afirmação de identidades.

Assim é a percepção do fenômeno linguístico enquanto produto de diversos fatores de ordem sociopolítica, e não o objeto de estudo de uma área acadêmica, como a linguística, simplesmente. Afinal, um povo se valoriza, mantendo e cultuando sua língua. O Brasil é uma nação de muitas nações internas e irmanadas entre si, e todas devem ser valorizadas e por isto, preservadas suas contribuições no cenário da diversidade na coexistência.

 

Os 14 Patrimônios Culturais da Humanidade que ficam no Brasil

A maioria das publicações sobre este tema reportam aos seguintes Patrimônios:

Centro Histórico de Ouro Preto (MG)

Patrimônio Histórico Minas Gerais

 

Centro Histórico de Olinda (PE)

Patrimônio Histórico Pernambuco

 

Ruínas de São Miguel das Missões (RS)

Patrimônio Histórico Rio Grande do Sul

 

Centro Histórico de Salvador (BA)

Patrimônio Histórico pelourinho

 

Santuário de Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas (MG)

Patrimônio Histórico Aleijadinho

 

Brasília (DF)

Patrimônio Histórico Brasília

 

Parque Nacional Serra da Capivara (PI)

Patrimônio Histórico Piauí

 

Centro Histórico de São Luís (MA)

Patrimônio Histórico

 

Centro Histórico de Diamantina (MG)

Patrimônio Histórico MG

 

Centro Histórico de Goiás (GO)

Patrimônio Histórico Goias

 

Praça São Francisco em São Cristóvão (SE)

Patrimônio Histórico

 

Paisagens Cariocas, Rio de Janeiro (RJ)

Patrimônio Histórico Cristo

 

Pampulha, Belo Horizonte (MG)

Patrimônio Histórico

 

Cais do Valongo, Rio de Janeiro (RJ)

Patrimônio Histórico